A Historia da Africa

Essa imagem foi projetada e extrapolada ao infinito ao longo do tempo, passando a justificar tanto o presente quanto o futuro.

HISTORIA GERAL DA AFRICA 4

É tempo de modificar o discurso. Trata-se de uma iniciativa científica. As sombras Historia obscuridades que cercam o passado desse continente constituem um desafio apaixonante para a curiosidade humana.

Africa genealogias mal feitas! Quantas estruturas esboçadas com pontilhados impressionistas ou mesmo encobertas por espessa neblina! Quantas seqüências que parecem absurdas porque o trecho precedente do filme foi cortado! A cada ano aparecem dezenas de novas publicações cuja óptica é cada vez mais positiva. Descobertas Africanas, por vezes espetaculares, questionam o significado de certas fases da história da humanidade em seu conjunto.

Mais que qualquer outra disciplina, a história é uma ciência humana, pois ela sai bem quente da forja ruidosa e tumultuada dos povos. Modelada realmente pelo homem nos canteiros da vida, construída mentalmente pelo homem nos laboratórios, bibliotecas e sítios de escavações, a história é igualmente feita para o homem, para o povo, para aclarar e motivar sua consciência. Ora, a história é a memória dos povos, A Historia da Africa. Ventos e correntes marítimas extremamente violentos montam guarda do Cabo Branco ao Cabo Verde.

Entretanto, no interior do continente, três desertos.

'Descendentes precisam saber que história da África é tão bonita quanto a da Grécia'

Ao sul, o Calaari. Sobretudo durante a pré-história, essas potências ecológicas, mesmo sem serem muralhas estanques, pesaram muito no destino Africano em todos os aspectos. No sentido Africa transversal, a curva dos vales do Historia, do Ubangui e do See more deve ter constituído igualmente um corredor privilegiado.

As fontes difíceis No que concerne ao continente Africano, é preciso reconhecer que o manuseio das fontes é particularmente difícil, A Historia da Africa. Três fontes principais constituem os pilares do conhecimento histórico: Estaríamos errados, entretanto, em estabelecer a priori uma hierarquia peremptória e definitiva entre essas diferentes fontes.

Um trabalho ativo de coleta vem sendo realizado com êxito pelos institutos de estudos Africanos e centros de pesquisas históricas nas regiões Africanas que foram penetradas pela cultura islâmica.

Por outro lado, novos guias editados pelo Conselho Internacional dos Arquivos, sob os auspícios da Unesco, propõem-se a orientar os pesquisadores na floresta de documentos espalhados em todas as partes do mundo ocidental. Cada vez que um deles desaparece, é uma fibra do fio de Ariadne que se rompe, é literalmente um fragmento da paisagem que se torna subterrâneo.

A escrita decanta, disseca, esquematiza e petrifica: Apresenta sob as três dimensões aquilo que muito freqüentemente é esmagado sobre a superfície bidimensional de uma folha de papel. Uma espécie de psicodrama que revela à comunidade suas raízes e o corpo de valores que sustenta sua personalidade: Aqui, como em toda parte, é preciso procurar a palavra fóssil-guia, tentar encontrar a pedra de toque que identifica o metal puro e rejeita a ganga e a escória. É o que acontece com certos dinastas de Ruanda, como Da Monzon, rei de Segu início do século XIXa quem os griots atribuem toda a grande conquista desse reino.

A historia da Africa

Perde sua carga de sentido e de vida. Para o Africano, a palavra é pesada. A palavra é envolvida por apologias, alusões, A Historia da Africa, subentendidos e provérbios claro-escuros para as pessoas comuns, mas luminosos para aqueles que se encontram munidos das antenas da sabedoria. Mas quando se Historia a alguém: Desenraizada, ela perde sua seiva Africa sua autenticidade, pois a língua é a "morada do ser". Ela é largamente comprovada pelo confronto com as fontes arqueológicas ou escriturais, como no caso do sítio de Kumbi Saleh, dos vestígios do lago Kisale, ou mesmo dos acontecimentos do século XVI transmitidos pelos Shona, cuja conformidade com os documentos escritos por viajantes portugueses daquela época foi verificada por D.

Contudo, essas mesmas narrativas mostram-no consultando incessantemente seus guerreiros, seus griots, suas mulheres Esse valor também se exprime muito bem no episódio da luta de Bakary Dian contra os Peul do Kournari. É o teu nome agora que precisa ser considerado; pois vem-se ao mundo para construir um nome. Se nasces, cresces e morres sem ter um nome, vieste por nada, partiste por nada".

Farei o que me pedis, por meu renome. Eram homens de etnias diferentes, e seu pastor chefe chamava-se Bonke".

A piroga estava ricamente decorada". Os caçadores de Segu sobem de surpresa e infiltram-se na cidade. Os cavaleiros de Segu lançam flechas flamejantes. As casas da aldeia pegam fogo". Saran, a mulher apaixonada por Da Monzon, vai umedecer a pólvora dos fuzis dos Africa de Historia.

Alberto da Costa e Silva: Curiosamente o Brasil esteve ausente disso. Era como se o negro surgisse no Brasil, como se fosse carente de história. Nenhum povo é carente de história. Boa parte da ourivesaria brasileira tem raízes africanas. Por que em toda tragédia surgem heróis anônimos? Havia um suplemento juvenil do jornal A Noitesobre grandes nomes da história, e eu me lembro perfeitamente de um caderno sobre Zumbi. Palmares era como um Estado africano recriado no Brasil. Isso é uma hipótese.

Mas ainda apresenta visões distorcidas. É um equívoco isso.

1 Comentário